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Há várias décadas a indústria sucroalcooleira do Brasil gera a quase totalidade da energia elétrica que consome, aproveitando o bagaço de cana, resíduo do seu processo produtivo.
As 168 usinas instaladas têm uma potência total de 2300 MW, e representam mais de 3% da produção nacional de energia elétrica. O potencial estimado de utilização do bagaço de cana-de-açúcar no entanto totaliza 5200 mW somente na região sudeste, onde a produção está concentrada.
Também a reestruturação da capacidade de geração existente na indústria sucroalcooleira, através da substituição de caldeiras antigas e pouco eficientes, por caldeiras de nova geração pode representar uma melhor utilização desse recurso.
Outro potencial que atualmente é quase totalmente ignorado é o aproveitamento de resíduos da produção agrícola, por exemplo proveniente da indústria da madeira ou da produção de grãos. Para ter uma idéia do potencial desses recursos, somente na região sul, onde se concentra a metade do potencial nacional, a capacidade estimada é de 9300MW, aproximadamente 2/3 da capacidade da hidroelétrica de Itaipu.
Hoje em dia, a tecnologia de centrais de pequena e média dimensão para a queima completa de resíduos avançou muito e nossa indústria já começa a perceber que a utilização dos recursos supracitados para a produção de energia elétrica oferece uma viabilidade econômica efetiva.
O tratamento de dejetos de produção pecuária (por exemplo, de origem suína ou avícola), através de biodigestores anaeróbicos representa uma oportunidade altamente vantajosa seja para o saneamento ambiental como para o aproveitamento energético.
A tecnologia dessas unidades é bastante simples e é apropriada para qualquer tipo de dejeto orgânico úmido, que justamente, por essa razão, não podem ser utilizados eficientemente através da queima direta.
Nesse processo, a matéria orgânica é inserida dentro de um reservatório fechado, no qual são propiciadas as condições ótimas de proliferação da cultura bactérica, que atua transformando a matéria orgânica original. Um dos principais produtos dessa reação é metano, que pode ser utilizado para geração de energia elétrica e térmica, além de um fertilizante de ótima qualidade, que possui um elevado valor de mercado.
Os incentivos para centrais que utilizam biomassa são naturalmente também aplicáveis para a implementaçao de centrais a biogás. A simplicidade do processo, a característica de saneamento ambiental e o aproveitamento energético, portanto, permitem a transformação de uma matéria que originalmente apresenta custos de tratamento em ganhos econômicos através de venda de energia elétrica e fertilizante.
O lixo urbano representa um peso importante nas contas das prefeituras municipais, e, portanto, nos bolsos dos contribuintes. Para dar um exemplo, no final dos 20 anos contratados para a coleta do lixo na cidade de Sao Paulo as concessionárias terão recebido cerca de 10 bilhões de reais. Ou seja, para essa atividade, nesse período, cada família da cidade de São Paulo terá pagado cerca R$4.000,00!
Se o lixo fosse utilizado como recurso, através de reciclagem e aproveitamento energético, o capital obtido através dessas medidas poderia custear as contas publicas, possibilitando o redirecionamento desse capital em outras atividades, em beneficio da comunidade geral.
As prefeituras municipais já começam a tomar conhecimento de que o lixo urbano que consome milhões por ano é na realidade um excelente combustível que poderia gerar receita e ter uma destinação final muito menos ambientalmente agressiva do que os aterros sanitários e lixões.
