Moody's: previsão atual do PIB do Brasil para 2018, de 1,5%, deve ser elevada

O chefe de análise de risco soberano para a América Latina da agência de classificação Moody's, Mauro Leos, disse a jornalistas nesta terça-feira, 10, que os analistas da casa estão em processo de reavaliação das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2018 e a tendência é que o número seja revisado para cima.

 

A previsão atual é que o indicador cresça 1,5% no ano que vem. O novo número deve ser divulgado em algumas semanas, provavelmente no começo de novembro, quando a Moody's apresenta seu novo relatório de previsões mundiais.

 

Leos ressaltou que a economia brasileira tem mostrado sinais de melhora nos últimos meses, com a atividade ganhando tração, a inflação seguindo em queda e os juros sendo reduzidos pelo Banco Central.

 

Alguns setores estão se recuperando primeiro que outros e em ritmo mais forte, mas a sensação ao se olhar os mais recentes indicadores é que a economia virou a curva, disse ele.

 

Contas fiscais

 

É pouco provável que as contas fiscais brasileiras tenham melhora nos próximos anos a ponto de estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB, um dos principais indicadores de solvência de um país, disse Mauro Leos. No melhor cenário, a dívida/PIB deve se estabilizar em 2020 na casa dos 80%, nível acima de outros emergentes, incluindo países do mesmo rating do Brasil.

 

 

"Não vemos a relação dívida/PIB se estabilizando em 2018 e 2019. Para se estabilizar em 2020 todas as coisas precisam ir na direção certa", disse ele, citando a necessidade de aprovação da reforma da Previdência, o PIB voltando a crescer na casa dos 3% e a Selic mantida no patamar de 8%. "No melhor cenário, é possível que a dívida/PIB se estabilizaria em 2020."

 

 

Leos ressaltou que o Brasil tem apresentado déficits primários elevados nos últimos anos e que os números têm piorado. Ele mostrou em uma apresentação previsões oficiais do governo, que revisou as projeções do rombo nos próximos anos. "O maior desafio para o perfil de crédito do Brasil é fiscal, fiscal e fiscal", disse Leos em sua apresentação.

 

 

Com esse nível de déficit primário é muito improvável que a relação dívida/PIB vá se estabilizar, disse Leos, mostrando em um gráfico que o indicador do Brasil está em 72,8% em média no período de 2015/2018, acima do que era em anos anteriores, quando estava na casa dos 50%. Até onde este indicador vai subir e por quanto tempo ficará neste patamar são fatores importantes para determinar o rating soberano do Brasil, observou o analista da Moody's.

 

 

Leos ressaltou que há alguns fatores necessários, mas não suficientes, para tentar reduzir a dívida/PIB. Um deles é o maior crescimento da economia, que ajuda a arrecadação do governo. Mesmo assim ele ressaltou que é preciso um crescimento sustentável, não apenas em um ou outro ano. Entre outros fatores essenciais para reduzir a dívida é reforma da Previdência e o cumprimento do teto que limita o aumento do gasto público.

 

 

Na questão fiscal, Leos citou que o Brasil tem flexibilidade limitada no Orçamento do governo. Só a previdência consome ao redor de 50% do orçamento no Brasil, bem acima da média da América Latina, que é 26%. O Brasil paga com juros (25% do orçamento) muito mais que seus vizinhos (10% em média), ressaltou o analista da Moody's.

 

Investimento

 

 

Já o investimento consome apenas 1% do orçamento do governo brasileiro, enquanto na América Latina a média é de 18%, ressaltou ele. As taxas de investimento do Brasil são menores que outros mercados, incluindo o Paraguai, disse Leos. Para o PIB voltar a crescer de forma mais sustentada, será preciso que o investimento ganhe tração, ressaltou o analista.

 

Entre os fatores positivos do Brasil, o analista da Moody's citou as contas externas, com o déficit em transações correntes caindo nos últimos meses, as elevadas reservas internacionais e a baixa exposição da dívida pública brasileira ao financiamento externo. Em todos estes indicadores, o Brasil tem posição melhor que países do mesmo rating, ao contrário dos indicadores fiscais, em que a situação brasileira é bem pior.

 

Fonte: DCI