Governo não irá acionar termelétricas mais caras para evitar mais custos para setor


Apesar da persistência da seca, o governo decidiu manter desligadas as usinas termelétricas mais caras, cujo custo está acima do preço da energia no mercado à vista. No jargão do setor elétrico, isso significa que o governo não aprovou o despacho fora da ordem de mérito.



A decisão foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em reunião extraordinária realizada nesta quarta-feira, 18.


Em nota, o CMSE destacou que a geração de energia fora da ordem de mérito causaria impactos na apuração do risco hidrológico (GSF) e elevaria encargos setoriais e o pagamento pelo deslocamento hidráulico. "Tendo em vista as apresentações realizadas, o CMSE decidiu, nesse momento, não acionar as usinas termelétricas fora da ordem de mérito."


O governo reafirmou que o abastecimento de energia está garantido, mas a custos elevados. Entre as medidas já adotadas pelo CMSE estão a aprovação de uma campanha para incentivar a economia de energia, importação de energia da Argentina e antecipação da entrada da linha de transmissão de Belo Monte.


O CMSE também já solicitou à Petrobrás que retome o fornecimento de gás e óleo combustível para termelétricas atualmente sem contrato e que podem contribuir para geração de energia mais barata. Uma nova correspondência será enviada à companhia para reiterar o pedido.


De acordo com a nota, as chuvas estão abaixo da média na região central do País, onde ficam as principais bacias e usinas hidrelétricas. No extremo sul, as chuvas estão acima da média. As previsões indicam a chegada de uma frente fria nos próximos sete dias nas bacias da Região Sul, com menor impacto no Sudeste.


Também segundo a nota, o consumo de energia no mês de outubro cresceu acima do inicialmente previsto pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).


O CMSE terá nova reunião extraordinária na próxima semana para reavaliar as condições de abastecimento do País e a eventual necessidade de medidas adicionais.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo