Para economistas, economia voltou a crescer em setembro


O mês de setembro deve ter revertido a tendência de queda na atividade registrada em agosto, acreditam economistas. Indicadores antecedentes, como o tráfego de veículos nas estradas, vendas de papelão ondulado para embalagens utilizadas no comércio e na indústria, produção e venda de veículos e índices de confiança, sugerem que a economia retomou sua trajetória de recuperação gradual no mês.


"Os indicadores de agosto vieram um pouco abaixo do esperado, mas avaliamos que foram fatores específicos, não uma tendência", afirma Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores. "Olhando os indicadores setoriais de setembro e índices prospectivos de confiança, há uma perspectiva de evolução mais benéfica da atividade", avalia.



Entre os indicadores já divulgados que antecipam o desempenho da indústria em setembro, em relação a agosto, tiveram desempenho positivo o tráfego de veículos pesados (0,73%), a produção de motocicletas (8,77%) e de veículos (6,81%), a confiança da indústria (0,65%), o consumo de energia elétrica (0,3%) e a produção de petróleo e gás pela Petrobras (1,86%). Por outro lado, as vendas de papelão ondulado (-0,71%) e o uso de capacidade na indústria (-0,27%) registram quedas, conforme dados dessazonalizados pela LCA.



Já para o comércio, trazem boas notícias o tráfego de veículos leves (3,25%), as vendas de automóveis (3,73%), a confiança do consumidor (1,73%), o indicador da Serasa de movimento no comércio (1%) e as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de São Paulo (0,62%). Entre os antecedentes do setor, somente as consultas ao UseCheque têm baixa em setembro (-0,49%).



Para Mauricio Nakahodo, economista do Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), os principais fatores que têm beneficiado a atividade econômica neste momento são a inflação moderada, que tem permitido reajustes salariais acima da inflação, e a recuperação da massa salarial, com o aumento da população ocupada. O efeito do corte de juros pelo Banco Central também tem chegado gradualmente ao consumidor.

 


À luz dos indicadores já conhecidos, Sarah Bretones, economista da MCM Consultores, calcula para a indústria uma alta de 0,9% em setembro, na comparação mensal ajustada. Para o varejo, a estimativa é de queda de 0,4% na margem, no conceito restrito, e avanço de 0,3% no ampliado, que inclui vendas de automóveis e de material de construção.



A economista adverte porém que, como os dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) ainda não são conhecidos, foram usados na projeção números semelhantes aos de agosto - quando o setor teve queda de 0,4%, na base ajustada. "Se os números do setor supermercadista surpreenderem, o varejo restrito pode ter um desempenho melhor", afirma Sarah.


O bom resultado da indústria e do comércio tende a influenciar positivamente os serviços em setembro. Para o setor, a MCM projeta um incremento de 0,2% na margem, revertendo a queda registrada em agosto. Caso os dados de setembro se confirmem, indústria e varejo ampliado encerrariam o terceiro trimestre com altas de 1% e 1,8%, respectivamente. Já o setor de serviços ainda cairia 0,4% em relação ao segundo trimestre.


Ao divulgarem dados de setembro, a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) e a Fenabrave (concessionárias de veículos) revisaram para cima as projeções de vendas para 2017. No início do ano, a associação papeleira esperava alta de apenas 1%. Essa previsão foi elevada a 2,7% e agora chega a 3,8%, após dois anos consecutivos de quedas superiores a 2%. Apesar da retração na margem, a venda de papelão cresceu 6,21% em setembro, na base anual.


A entidade que representa as concessionárias de veículos, por sua vez, elevou sua estimativa de um crescimento de 4% para 9,5% no ano. Por ocasião da divulgação dos número de setembro, a sócia da MB Associados Tereza Fernandez da Silva, que presta consultoria para a Fenabrave, afirmou que o aumento na média diária de vendas de veículos em setembro indica que o ritmo nas linhas de produção tende a ser forte a partir de outubro.


Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco, estima altas de 0,8% para a indústria, 0,3% para o varejo restrito e 0,6% para o ampliado em setembro, em relação a agosto e feito o ajuste sazonal. Com isso, a instituição financeira calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre seria levemente positivo, em 0,1%. "O 'headline' [variação do PIB] não é forte, mas por trás desse número a composição parece estar melhor, pois possivelmente a formação bruta de capital fixo será positiva no terceiro trimestre", afirma.


Segundo o economista, a volta do investimento ao azul, junto à queda do desemprego, é um sinal interessante. "É cedo para dizer que a economia está forte, está voando. Ainda não. Mas ela está ganhando musculatura", avalia. O Itaú projeta o PIB em alta de 0,8% este ano e de 3% em 2018.


Para Salles, diferentemente do primeiro semestre, em que o crescimento foi puxado primeiro pela agricultura e depois pelo consumo das famílias, de agora em diante a perspectiva é de avanço mais disseminado. "Por trás dessa melhora, há os juros em patamar baixo, a desalavancagem das empresas e famílias e um mundo benigno, que significa liquidez abundante e preços de commodities estáveis", afirma. 

 

Fonte: Valor Econômico