Interconexão poderia reduzir custo operativo em R$ 8 bilhões, aponta PSR

Um estudo feito pela PSR aponta que o Brasil poderia obter uma redução de custos operativos no setor elétrico de R$ 8 bilhões apenas com as interconexões já existentes com a Argentina e Uruguai. Esse montante seria obtido somente com a infraestrutura já existentes e que está ociosa. Com isso, a consultoria afirma que vale a pena para o país fazer intercâmbios econômicos com os países vizinhos e de maneira sistemática, ao invés das ações emergenciais, como tem ocorrido.



Na avaliação da empresa, este seria o primeiro passo para o que classificou como ‘sair dos traumas’ anteriores e voltar a considerar no planejamento as oportunidades das interconexões, na mesma linha dos demais países da região e da Europa. Como trauma, a PSR toma como base a consulta que fez a vários agentes de diversos países sobre o interesse em interconexões internacionais. O Brasil foi um dos países mais céticos sobre este tema, provavelmente devido à experiência negativa com a interconexão Brasil-Argentina.


“Embora essa postura seja compreensível, é interessante observar que o país, como parte de um conjunto de medidas para melhorar as condições de suprimento, acabou de contratar uma importação de 1.000 MW médios da Argentina e de 500 MW médios do Uruguai (que recentemente construiu uma interconexão com o Brasil). Esta importação de energia pode ser uma boa oportunidade para revisitar a postura do país com relação às interconexões com os vizinhos”, apontou a consultoria em sua edição mais recente da publicação mensal Energy Report.


Um dos benefícios diretos que a interconexão pode trazer para o país é a integração de fontes com padrão de produção diversificado, ou seja, com pouca correlação espacial. Esta solução, apontou, é também conhecida como efeito portfólio, por analogia às estratégias de diversificação das carteiras de ações e outros ativos financeiros. “O estudo da PSR mostrou que as interconexões contribuem de maneira significativa para o efeito portfólio, pois permite que os países compartilhem as reservas de geração probabilísticas, que passaram a ser necessárias com a inserção de renováveis. Os benefícios do efeito portfólio no uso de renováveis tem sido um dos principais impulsionadores para a interconexão crescente dos sistemas elétricos da União Europeia”, acrescentou.


Em um estudo do mix de geração de países com base térmica e hidrelétrica, respectivamente, o país térmico economizava combustível importando energia quando as condições hidrológicas do vizinho eram favoráveis; e por outro, o país hidrelétrico contava com o respaldo térmico do vizinho no caso de secas. Um estudo da PSR para o BID confirmou o benefício adicional das interconexões para a inserção econômica de renováveis.


E lembrou ainda que um dos desafios para a inserção destas fontes é gerenciar sua variabilidade, como na Alemanha, país onde isto foi feito através de usinas termelétricas de respaldo uma solução cara e contraditória com a ideia de descarbonizar a produção de energia. Até mesmo por aqui, onde as hidrelétricas poderiam suavizar a variabilidade das eólicas, destacou, tem sido necessário acionar termelétricas diariamente na região Nordeste, devido aos problemas de gestão do rio São Francisco.

 

Fonte: Canal Energia