Eólica se destaca na contratação do Leilão A-6

A fonte eólica se destacou entre as contratações do leilão de energia nova realizado ontem, com entrega prevista em seis anos – o chamado A-6. Dos 63 projetos arrematados, 49 foram eólicos.



Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o certame movimentou R$ 108 bilhões em contratos, equivalente à geração de 572,5 milhões de megawatt-hora (MWh).

 


O preço médio ao final das negociações foi de R$ 189,45 por MWh, com deságio de 38,7% em relação aos preços-tetos estabelecidos, o que representou uma economia de R$ 68,5 bilhões para os consumidores de energia.



Além dos projetos eólicos, com uma contratação de 691,8 MW médios, foram leiloadas seis Pequenas Centrais Hidrelétricas, chamadas PCHs (71,3 MW médios), seis térmicas movidas a biomassa (102,6 MW médios) e duas térmicas a gás natural (1.870,9 MW médios), somando 2.736,6 MW médios de energia contratada.



Preço
Novamente o preço chamou a atenção, assim como ocorreu no leilão A-4 do início desta semana, especialmente no caso da eólica, que ficou com um valor médio de R$ 98,62 MWh – montante inferior ao registrado no certame de 2012. O preço das PCH’s foi de R$ 219,20 MWh. No caso das usinas térmicas movida a biomassa, o preço ficou em R$ 216,82/MWh e, as térmicas a gás natural, a R$ 213,46 MWh. Participaram, como compradoras, 25 concessionárias de distribuição com destaque para a Cemig D (9,55% do total negociado), Coelba (9,1%) e Copel D (8,7%).

 


Segundo o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, havia muitos projetos represados dos últimos anos, cenário que ainda se mantém, o que ficou evidenciado pelo alto número de MWh habilitados. “Isso elevou a competitividade e a agressividade do deságio”, afirmou. A fonte eólica teve um desconto superior a 60%.

 


Prates reforçou que os vencedores foram empresas de grande porte, com projetos já em desenvolvimento. “Os desenvolvedores e os principiantes não tiveram ‘cacife’ para este leilão, que foi dominado pelas majors”, completa.



Outro aspecto que contribuiu foi o financiamento direto, já que Enel, Iberdrola e EDP, por exemplo, têm acesso a linhas externas ou apoio de fundos. Prates ressalta que essas empresas não dependem tanto do BNDES, embora essa opção não possa ser descartada. “Os fornecedores terão que ser competitivos para conseguir os contratos, não só pelas tarifas apresentadas quanto pelo fato de não haver imposição de conteúdo local às majors.”

 

 

Fonte: DCI