Complexo Eólico de Palmas II recebe licença ambiental prévia do IAP

O Instituto Ambiental do Paraná acaba de emitir a licença ambiental prévia para o primeiro e maior complexo de geração de energia elétrica de fonte renovável no Paraná, em mais de vinte anos. 
Trata-se do Complexo Eólico Palmas II, de titularidade da empresa paranaense ENERBIOS, do Grupo ENERCONS, com 200 MW de potencia instalada, capaz de atender com energia elétrica a uma cidade de 350 mil habitantes e investimentos previstos acima de 1 bilhão de reais.
No desenvolvimento deste empreendimento a ENERBIOS está associada à empresa alemã INNOVENT, à CIA AMBIENTAL de Curitiba e a VENTOS DO SUL, de Abelardo Luz, em Santa Catarina, tendo iniciado já em 2009 as atividades de medição de vento. 
Para Ivo Pugnaloni, presidente da ENERBIOS e responsável técnico pelos projetos de engenharia, o licenciamento ambiental na etapa prévia já antecipa o êxito das etapas de licenciamento da instalação e da operação, pois a parte mais difícil, segundo ele, já está concluída.  
“Agora nossa atenção se volta a detalhar o Projeto Básico Ambiental e concluir cotação final para aquisição dos equipamentos e serviços, que já está em curso. Enquanto isso, completaremos todas as necessidades em termos financeiros e societários que um empreendimento desta importância e envergadura exige”
A energia gerada poderá ter dois destinos, segundo Pugnaloni. O primeiro o chamado mercado livre de energia. O segundo destino seria o mercado de geração distribuída e o terceiro o mercado regulado, caso o preço oferecido pela ANEEL nos leilões volte a ser vantajoso.
“Nosso objetivo é primeiro buscar atender com energia renovável e limpa aos consumidores que já fazem parte do nosso portfólio de atendimento no mercado livre. Será uma tarefa um pouco difícil, mas não impossível. Não apenas devido aos prazos de renovação dos seus contratos, que já estão vencendo esse ano, como devido aos preços extremamente vantajosos que estes nossos clientes  estão pagando, pois graças a eles, já economizaram mais de seis milhões de reais nos últimos 18 meses, deixando de comprar energia no mercado regulado. Além disso, enfrentarão ainda a procura que temos sentido por parte de outras industrias do Paraná e do sul do Brasil que ficaram conhecendo o andamento do projeto eólico e pretendem associar-se a ele ou comprar a energia renovável que será produzida, com descontos na transmissão assegurados pela legislação”, concluiu.
Para Pedro Fuentes Dias, presidente da CIA AMBIENTAL, responsável técnico pelo licenciamento ambiental, o fato da ENERBIOS durante o processo de licenciamento ter seguido estritamente a regulação do CONAMA e da SEMA-IAP, foi preponderante no sucesso obtido. “A certeza do êxito vem da forma como enfrentamos cada desafio e cada exigência, não apenas cumprindo os regulamentos, mas indo ainda mais além, em vários pontos.”
Já Paulo Gustavo Yazbek, diretor da INNOVENT no Brasil, está otimista quanto à aprovação da PEC 27 pelo Congresso em 2019. “Essa emenda constitucional faz com que o ICMS passe a ser arrecadado no estado gerador e não mais no estado onde a energia será consumida. Na Alemanha e na Europa como um todo, esse modelo, que faz crescer a receita dos estados, motivou vários incentivos ao mercado livre de energia a partir de energias renováveis. Um selo de garantia de origem controlada, de energia limpa e renovável é uma excelente ideia, pois poderia ser copiada no Paraná, conferindo ao  nosso agronegócio uma razão a mais para ter sucesso nos mercados externo e interno. Agora há muita probabilidade dessa energia ser vendida toda no Paraná”
O Complexo Eólico Palmas II conta com 16 mil hectares de área arrendada a mais de 50 proprietários rurais e está situado no município de Palmas, no Sul do Paraná, na divisa com Santa Catarina. Ele é composto de oito usinas eólicas diferentes, denominadas Taipinha, Tradição, Piloto Tradição, São Francisco, Santa Cruz, Campo Alegre, Santa Maria e Pederneiras nas quais as atividades agrícolas de lavoura, pastagem e reflorestamento continuarão a ser praticadas normalmente.