Greca: “Xô petróleo, xô poluição, xô termoelétricas fósseis!”. Hidroelétrica limpa ganha vitrine

O presidente do Grupo ENERCONS/ENERBIOS, engenheiro Ivo Pugnaloni participou sábado pela manhã da inauguração da central geradora hidrelétrica Nicolau Klüppel, instalada no Lago do  Parque Barigui, tradicional local de lazer e turismo da capital paranaense, Curitiba.


A usina terá capacidade para alimentar a iluminação pública do parque Barigui e estará ligada na rede de energia da COPEL pelo sistema de geração distribuída, o mesmo sistema  que é usado pelas usinas solares fotovoltaicas, porem de maior potência média por real investido.


A modalidade de geração distribuída existe desde 2012 através de resolução da ANEEL, mas apenas ficou mais conhecida como utilizável pela energia solar, podendo porém desde 2013, ser usada também para pequenas hidrelétricas, eólicas ou térmicas movidas a biomassa vegetal, com até 5 MW de potência, desde que situadas na área de concessão  da mesma distribuidora.


“Foi isso mesmo que quisemos demonstrar aqui no Parque Barigui, cartão de visita não apenas de Curitiba, mas do Estado do Paraná: que as hidrelétricas de pequeno porte não tem nenhum impacto ambiental negativo, mas apenas benefícios”, disse Ivo  Pugnaloni, que como ex-presidente da ABRAPCH ( Associação Brasileira de PCHs ) teve a ideia pioneira de projetar e propor pela primeira vez ao prefeito Rafael Greca a construção da usina, que abraçou a ideia.


“Esta será a primeira hidrelétrica situada dentro de uma Unidade de Conservação, atendendo integralmente a legislação ambiental. E provavelmente Curitiba deve ser a primeira prefeitura a construir uma hidrelétrica em parceria com a iniciativa privada em mais de 50 anos!”, disse o empresário.


“Municípios podem usar geração distribuída para economizar muito”, diz Ivo Pugnaloni
O sistema de geração distribuída permite a qualquer consumidor comercial, residencial, industrial ou do poder público não apenas consumir mas gerar também a sua própria energia e injetar o excesso aproveitando a conexão que já existe com a rede.
Dessa forma, quando há uma geração superior ao consumo, a diferença  gerada a mais é abatida da energia a pagar nos próximos meses. 


Pugnaloni esclareceu que o sistema de faturamento e conexão da CGH Nicolau Kluppel será o mesmo utilizado na geração de energia  solar fotovoltáica, com a vantagem de  funcionar 24 horas, com sol  ou sem sol, aproveitando a agua corrente, sem alagar nenhum centímetro a mais. “O melhor é que, com a geração distribuída, os consumidores como as prefeituras e outros poderes públicos ainda tem a conveniência de poder utilizar potenciais maiores, sejam eles não apenas os  solares, mas eólicos ou hidráulicos, desde que situados na mesma área de concessão da distribuidora local, como é o caso da central do parque Barigui, pois o solar limita-se ao tamanho dos telhados à disposição. Quase todas as cidades brasileiras possuem um ou mais lagos para diversão, turismo e lazer da população. Então, fica a nossa pergunta: por que não utilizar esses lagos para gerar energia elétrica limpa, de qualidade, com investimento que não necessita construir novos reservatórios? Sabemos que as tarifas para os poderes públicos, com exceção da iluminação pública que é incentivada, são as mais altas do Brasil, igualando-se às das residenciais. Sabemos também que a energia elétrica é o terceiro gasto mais elevado do orçamento municipal, superado apenas pelos gastos com a folha de pagamento e com a limpeza urbana”


A usina foi doada por um conjunto de empresas associadas e cotizadas através da ABRAPCH - Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas, da qual o presidente do grupo ENERCONS, Ivo Pugnaloni  foi primeiro presidente e um dos doze fundadores. 

 

Quem foi Nicolau Kluppel e as vantagens dos lagos das hidrelétricas.
Na solenidade de inauguração o prefeito Rafael Greca frisou que o nome da Usina homenageia o professor Nicolau Klüppel, da PUC Paraná, um engenheiro que deixou em Curitiba uma marca muito grande na questão ambiental, sendo o proponente e projetista do próprio lago do parque Barigui, cuja principal finalidade é a contenção de enchentes, tal como outros parques projetados por ele e construídos pelo próprio prefeito Rafael Greca em seus mandatos anteriores.


Para o presidente do grupo ENERCONS/ENERBIOS a usina do Barigui é uma oportunidade de que toda a população do Paraná, ao cruzar a nossa capital, indo ao litoral ou vindo a negócios, faça uma parada no parque Barigui para conhecer esta modalidade de geração de energia que pode aproveitar pequenos cursos d’agua e pequenas quedas. “A turbina usando o parafuso ou rosca de Arquimedes não é a única modalidade, precisamos frisar,  pois existem outros modelos de turbinas muito baratas e de pouco impacto ambiental que também podem ser instaladas para aproveitar a energia limpa dos lagos e dos rios. Mas foi o tipo que melhor se adequou à obra existente, embora no nosso projeto original, a turbina ficasse pela margem direita, sem utilizar o vertedouro”.


Já Paulo Arbex, atual presidente da ABRAPCH disse que “com esta CGH podem-se realizar cursos de educação ambiental, treinamentos para escolas, empresas, universidades, demonstrando os muitos benefícios das pequenas hidrelétricas, de forma a esclarecer a confusão proposital que os lobbies de energia fóssil patrocinam contra as energias renováveis”


Para Pedro Dias, diretor ambiental e vice-presidente do Conselho de Administração da ABRAPCH não há mais o que falar mal de pequenas hidrelétricas. “Nossos lagos fornecem uma excelente proteção ambiental das margens, através das áreas de preservação permanente, impedindo o plantio e a moradia irregular à beira dos rios, que é extremamente perigosa e que em época de enchentes, tem ceifado milhares de  vidas em todo o Brasil. Nossas pequenas centrais impedem também o despejo de agrotóxicos nos lagos, os incêndios florestais, as queimadas iniciadas nas partes mais ralas da cobertura vegetal. Cercados e protegidos  pelos empreendedores, nossos lagos e suas áreas de preservação permanente também Impedem o despejo de lixo, de  detritos além de retirar dos lagos os troncos, animais mortos e uma série de outros poluentes, como plásticos e etc”
Pedro Dias, que é também empresário do setor de consultoria ambiental e ambientalista de renome reconhecido nacionalmente, disse ainda que “a conservação destas áreas no entorno das hidrelétricas impede também o assoreamento dos lagos e a destruição da vegetação das margens, pois quando você protege uma área de preservação permanente você impede a erosão mantendo a cobertura vegetal. Tudo isso sem custo para o poder público, pois é vigiado e fiscalizado pelos próprios empreendedores, que tem ainda tem a obrigação legal de realizar anualmente exames de água da qualidade da água e de monitoramento ambiental completo da área de preservação permanente”
Quanto aos efeitos alegadamentre “maléficos” dos lagos sobre o clima e a vida das pessoas, Pedro Dias disse que é claro que lagos mal projetados ou executados sem respeito aos regulamentos e aos direitos das pessoas, sempre irão causar problemas sociais, como foi o caso das usinas que foram  construídas antes de existir essa legislação. Entretanto os lagos das hidrelétricas servem ainda para amortecer os efeitos das enchentes, tal como esse lago Barigui, projetado como um reservatório de contenção das grandes enchentes que assolavam as regiões mais baixas à jusante, na periferia e na cidade industrial”


“Se fizermos uma pesquisa aqui na valorizada região do Parque, dizendo que pretendemos remover o lago que existe graças à ideia pioneira do professor Kluppel, com certeza teremos 99,9% de respostas contrárias. Afinal, um lago tem ainda um grande efeito estético, turístico, paisagístico, de lazer, de esportes, de pesca, como no lago da usina de Furnas em Minas e no Lago Paranoá em Brasília, que aliás é o reservatório da PCH Paranoá, da CEB, Companhia Energética da capital federal. Uma coisa que poucos sabem. É isso que com essa pequena hidrelétrica queremos ajudar  a provar: vamos mostrar que gerar energia e respeitar o direito ambiental são duas coisas perfeitamente possíveis e desejáveis. Principalmente para aqueles que são os bons empresários do setor, comprometidos com a boa técnica e a geração de riqueza e bem estar de forma sustentável. ”

 

Carta de Curitiba em defesa do uso das energias renováveis pelos municípios.
Mais tarde, após a inauguração da CGH, num evento na Prefeitura, Rafael Greca, pela quarta vez eleito como prefeito dos curitibanos, afirmou que irá à Salvador na segunda feira, numa reunião da Frente Nacional de Municípios, onde irá propor que as prefeituras de todas as cidades do Brasil, componham uma Frente Municipal pela Utilização das Energias Renováveis, elaborando novos projetos de geração e eficiência energética. Isso porque quase todas utilizam-se de lagos e lagoas para finalidades de lazer, possuem enormes superfícies cobertas para instalar painéis solares e podem participar de projetos de geração eólica, de biomassa e hidrelétricas  em qualquer rio ou cidade dentro da mesma área de concessão da distribuidora local, sem pagar pelo transporte da energia.


Ao final do evento, abraçado com o neto de Nicolau Kluppel, olhando diretamente para as câmeras dos cinegrafistas presentes disse com todas as letras o prefeito Greca, com seu conhecido tom incisivo: “Xô petróleo para gerar energia elétrica, xô termoelétricas fósseis! Energia limpa e renovável para iluminar o caminho das cidades brasileiras!” 


Falando também ao final do evento, Pugnaloni disse que época do prefeito que antecedeu a Rafael Greca, a ABRAPCH já tinha proposto a mesma ideia e mesmo sistema de doação dos estudos, projetos, equipamentos e serviços pelos seus associados.”Mas de alguma maneira, as obras da Copa do Mundo foram usadas para negar a continuidade do projeto. Incrivelmente, segundo alegações da época, as obras de construção da usina, que quase nada significaram de incomodo ou espaço, iam “atrapalhar a FanfFest, as comemorações da Copa”, lamentou Pugnaloni.


Complementando, Ivo disse que Curitiba poderia ter economizado muito dinheiro nestes cinco anos, que falta para outras áreas do atendimento ao público se tivesse  gerado a própria energia que consome. “Quase um milhão de reais poderiam ter sido deixados de ser gastos apenas com essa pequena CGH nesses cinco anos!”, informou  o dirigente da ENERCONS.

 

19º Aniversário do Grupo ENERCONS vai ter outra inauguração: a sede nova da empresa.
“No ultimo dia 02 de outubro, comemoramos 19 anos de ENERCONS, mas a festa ficou para novembro quando será a inauguração de nossos novos escritórios na avenida João Gualberto, em Curitiba. São 980 MW de projetos de geração de energia renovável, entre os quais 32 projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas, 9 projetos de Centrais Eólicas e mais de 300 projetos de eficiência energética, todos aprovados pela ANEEL. Além de mais de 11 milhões de reais em economia para nossos clientes em mercado livre, nos últimos 2 anos. Realmente temos muito a comemorar com nossos amigos e clientes.”, disse Ivo Pugnaloni.